Chega ser Advogado 0800!

CHEGA DE FAZER ADVOCACIA 0800

Algumas razões para não advogar apenas no êxito [ou por valores aviltantes](quem não quer te pagar R$ 2.000,00 não irá querer te pagar R$ 200.000,00).Em primeiro lugar, esse artigo é uma homenagem-resposta ao excelente artigo do Dr. Estevan Facure (“A lamentável cultura do Advogado 0800”) onde explica porque devemos cobrar nossas consultas e, principalmente, porque não devemos trabalhar apenas vinculado ao êxito de uma demanda.

Elencaremos algumas razões pelas quais não devemos aceitar esse tipo de contratação – que apenas avilta nossa profissão.

Bem, feita esta brevíssima introdução, passemos as razões pelas quais não devemos advogar apenas no êxito da demanda e, também, devemos cobrar por nossas consultas.

RAZÃO NÚMERO 1 – QUEM NÃO QUER TE PAGAR R$ 2.000,00 NÃO IRÁ QUERER TE PAGAR R$ 200.000,00

Meus amigos, a ansiedade natural em aumentarmos nossa carteira de clientes, principalmente em períodos de crise econômica (como o que vivemos atualmente) faz com que muitos advogados, ao se depararem com uma ação de grande potencial econômico, cujo cliente não tenha recursos financeiros, aceite fazer a ação por 20% ou 30% do valor a ser recebido pelo cliente.

Esse é um dos piores e mais graves erros que você pode cometer como Advogado.

Já passamos e também conhecemos amigos que passam por essa situação algumas vezes, e quem advoga sabe que o que vou contar não é exceção. Normalmente o cliente que não quer lhe pagar um centavo de adiantamento de honorários, não irá querer lhe pagar o percentual combinado quando do êxito de uma determinada demanda judicial.

Muitos acabam batendo a de cabeça e se enchendo de aborrecimentos desnecessários, em suas carreiras como Advogado, para descobrir essa óbvia realidade.

Vamos relatar apenas um exemplo ocorrido recentemente:

Em certo processo contra uma famosa editora do Brasil em que o valor final da condenação naquele processo foi da ordem de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), dos quais o advogado patrono tinha direito ao recebimento de 20% do valor total da indenização.

Pois bem, fizeram um trabalho espetacular naquele processo (muito antes da previsão legal do novo código de processo civil, usou-se até ata notarial como prova da violação dos direitos autorais sofridos pelos clientes.

O advogado por inexperiência (tinha apenas 2 ou três anos de formado à época) aceitou fazer a ação totalmente “ad exitum”, isto é, aceitando o risco de receber apenas “se” e “quando” a ação fosse julgada procedente e/ou caso houvesse um acordo. Mais que isso: como supostamente os clientes não tinham recursos financeiros ele investiu recursos financeiros próprios naquele processo; b) aquela era uma ação orfã. A Editora Abril tinha, justificadamente, a fama de ter um excelente corpo jurídico na área de Direitos do Autor e tinha a fama (comprovada por uma simples pesquisa no site do TJSP) de não perder ações ligadas àquela temática.

Bem, como falamos, o advogado aceitou o caso, todos os pedidos foram deferidos e nos 48 minutos do segundo tempo, isto é, quando a sentença de primeiro grau [julgando procedente a ação em favor dos clientes dele] fora confirmada pelo TJSP, negando provimento, outrossim, ao Recurso de Apelação da Editora Abril.

Precisamente alguns dias após o resultado do julgamento no ETJSP (a Abril ainda recorreria, sem êxito, ao Superior Tribunal de Justiça) então os ex-clientes resolveram que o Advogado não atuariam mais naquele processo e revogaram a procuração outorgada. Detalhe: sequer mencionaram a assinatura de algum documento estabelecendo e garantindo seus honorários.

Outra alternativa não restou se não processá-los em ações de cobrança de honorários. As ações foram julgadas procedente. Ao fim e ao cabo daquela demanda conseguiu receber o que era seu por direito (algo em torno de R$ 300.000,00), mas o estresse que passeou em razão da injustiça sofrida foi tanto que o advogado chegou a pensar em largar a Advocacia.

O ponto onde queremos chegar é: todo cliente tem sim condições de pagar R$ 2.000,00 de honorários de entrada numa demanda, ainda que tenha que parcelar em 10 vezes. Essa entrada servirá como um ótimo termômetro para você saber se seu cliente irá, ou não, querer te pagar no futuro quando – efetivamente – vier a receber a indenização bem maior que o valor de entrada.

Fica a dica: Quem não quer te pagar R$ 2000,00 de entrada, não irá te pagar R$ 200.000,00 no final da longa demanda.

Advogado que aceita muitas ações totalmente “ad exitum” tende a acumular lixo e tranqueira à sua volta.

Colegas, se vocês aceitarem muitas ações “ad exitum” acabarão atraindo à sua volta muita tranqueira, leia-se, aproveitadores e estelionatários.

Em primeiro lugar porque existe algo chamado “rádio peão” e as pessoas comentarão: “contrate sicrano, ele não cobra nada no início do processo, apenas se ganhar”. Como qualquer coisa com o rótulo grátis, seu escritório passará a ser destino certo de desocupados, aventureiros jurídicos, demandantes profissionais, estelionatários, dentre outros.

Sinceramente, querido(a) amigo(a) Advogado(a), você não querer isso. Então, como já disse anteriormente cobre um valor de entrada para uma demanda, ainda que simbólico, pois é uma ótima forma de evitar esse acúmulo de entulho em seu escritório.

Enorme abraço a todos e até o próximo artigo.

Adaptado dos artigo 0800 do Dr. Paulo Antonio Papini (https://papini.jusbrasil.com.br/)

Quer Receber Grátis 1 Kit de PETIÇÕES NCPC?

JR

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *